10 de July de 2026
O que começou como projeto do Ciclo 2 no ano passado virou infraestrutura real — e ainda tem muito pela frente.
Ano passado, os alunos do Ciclo 2 receberam uma missão: pensar o sistema de resíduos da Escola da Mata. Eles foram pelos espaços da escola, contaram quantos pontos precisavam de lixeiras, mapearam que tipo de coleta cada lugar exigia. O levantamento ficou pronto. E então, como acontece com muitos projetos bons, ficou um tempo no papel.
Mas o que ficou no papel não ficou parado. Enquanto as lixeiras não chegavam, a escola foi se estruturando por dentro. Surgiu o centro de triagem — um espaço coberto dedicado a separar os diferentes tipos de resíduos gerados na fazenda: plástico, vidro, papel, metal, rejeitos, eletrônicos. A Escola da Mata começou a receber outras escolas para falar sobre separação de resíduos, no projeto Mãos na Terra. A cultura estava se construindo antes das lixeiras existirem.
Este mês, as lixeiras finalmente chegaram — padronizadas, adesivadas, distribuídas pelos espaços da escola. Três cores, três destinos.
A diferença entre esses três grupos importa mais do que parece. Recicláveis são materiais que podem virar matéria-prima de novo — uma garrafa, uma lata, uma caixa seca. Rejeitos são o que sobra depois que tudo que podia ser aproveitado foi separado: vão para o aterro, e o objetivo é que esse grupo seja sempre o menor possível. E os orgânicos — como o papel higiênico — se decompõem e, quando bem gerenciados, voltam para a terra como adubo.
A chegada das lixeiras não é o fim do projeto. O próximo passo é organizar um momento semanal para que os estudantes façam a triagem do que foi coletado. No Serro, não há coleta seletiva — tudo vai para o lixão. Mas há catadores. E é aí que a separação faz diferença: material já triado facilita o trabalho de quem vive de identificar e recolher o que ainda tem valor. Separar bem, aqui, é também um gesto de respeito por quem está do outro lado dessa cadeia.
Um projeto que começou como levantamento de dados virou centro de triagem, virou formação para outras escolas, virou lixeiras padronizadas nos espaços — e ainda vai virar triagem semanal, compostagem e muito mais. Às vezes, os projetos que ficam no papel só estão esperando o momento certo para crescer.
Publicado por: Equipe Escola da Mata - Serro / MG
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